A Pausa nas Fendas
Três semanas haviam passado desde a partida de Renn, sem nenhuma carta, nenhum mensageiro, nenhuma confirmação de que ele havia, ao menos, atravessado a fronteira da zona de exclusão em segurança.
Sythriel manteve a rotina da galeria nesse tempo, aprendendo a tolerar a ausência de notícias do mesmo jeito que aprendera a tolerar a ausência de respostas sobre o próprio suporte dezessete: catalogando o que podia, registrando o que encontrava, sem permitir que a falta de progresso visível interrompesse o trabalho.
Threlan mandara perguntar, na segunda semana, se ela tinha qualquer informação adicional sobre o paradeiro de Renn. Ela não tinha, e a resposta pareceu satisfazer mais à formalidade da pergunta do que a qualquer necessidade real de saber. Ninguém na hierarquia do Templo parecia genuinamente preocupado com o arquivista de Lunareth, exceto, talvez, ela mesma, que conferia o quadro de correspondências da galeria todas as manhãs antes de iniciar qualquer outra tarefa, sem nunca encontrar nada endereçado a si.
A sala de arquivos antigos havia rendido, nas últimas semanas, um segundo fragmento. Não mencionava Kharad diretamente, mas registrava o nome de um sacerdote responsável pela administração de "postos avançados orientais" durante o período em que o suporte dezessete fora catalogado: um certo Irmão Davrick, sem sobrenome registrado, sem data de morte constante em nenhum arquivo posterior que Sythriel conseguira localizar.
Copiara o nome para o mesmo pedaço de papel onde guardava as outras anotações, sem saber ainda se ele levaria a algum lugar.
Naquela tarde, fazia a leitura mensal dos doze suportes monitorados, tarefa que Orvin lhe confiara havia algumas semanas, depois de confirmar, por conta própria, que ela conseguia preencher a planilha com a mesma precisão que ele exigia de si mesmo.
Ajoelhou-se diante do suporte dezessete, anotando a temperatura no registro do dia.
A luz da galeria diminuiu.
Não foi um apagão, nem qualquer falha visível nas fendas que normalmente alimentavam a iluminação natural do corredor. Foi mais sutil que isso: por um instante, a claridade ao redor perdeu uma fração da própria intensidade, em todas as fendas ao mesmo tempo, sem que nenhuma nuvem ou obstrução explicasse a mudança.
Sythriel ergueu os olhos.
O som da galeria, o zumbido baixo e constante que ela nunca notara conscientemente até aquele instante, cessou por completo.
Durou menos de dois segundos. A luz voltou ao nível normal, o som retornou, e nada na sala indicava que qualquer coisa houvesse mudado: nenhuma poeira deslocada, nenhum objeto fora do lugar, nenhum outro suporte reagindo de forma visível.
Sythriel olhou para o termômetro de cobre fixado à base do suporte dezessete.
A agulha registrava uma variação de um décimo de grau acima da leitura que ela própria anotara minutos antes, oscilação pequena demais para qualquer protocolo classificar como anomalia, mas presente, e datada com precisão suficiente para corresponder exatamente ao instante da queda de luz.
Anotou a variação na planilha, na mesma coluna onde Orvin registrava observações sem classificação imediata, e depois, em um pedaço de papel separado, anotou também a hora exata, o que sentira, e a ausência completa de qualquer explicação física disponível.
— Você está bem?
Maren entrara na galeria sem que Sythriel notasse, carregando um embrulho de pão que já se tornara hábito entre as duas.
— Você sentiu alguma coisa, há pouco?
— Sentir o quê?
— A luz diminuiu. O som parou. Por menos de dois segundos.
Maren considerou a pergunta com seriedade, olhando ao redor da galeria como se procurasse algum sinal físico do que Sythriel descrevia.
— Eu não notei nada. Mas eu estava no corredor, não aqui dentro. Talvez seja só algo que acontece perto dos suportes, e não em qualquer outro lugar do Templo.
— Ou talvez eu tenha imaginado.
— Você não parece o tipo de pessoa que imagina coisas, depois do que já aconteceu com você.
Sythriel não discordou. Levou o termômetro mais de perto, conferindo a leitura uma segunda vez, como se a repetição pudesse confirmar ou desfazer o que já registrara.
— Como era a sensação? — perguntou Maren, sentando-se no banco baixo reservado aos auxiliares.
— Difícil de descrever. Não foi dor, nem frio, nem nada que eu já tenha sentido perto do suporte antes. Foi mais como se o ar tivesse ficado, por um instante, mais fino do que o normal. Como segurar a respiração sem decidir fazer isso.
— Isso já aconteceu antes? — perguntou Maren.
— Não que eu tenha notado. Mas também nunca prestei atenção dessa forma antes. Talvez aconteça sempre, e eu simplesmente não soubesse o que procurar.
— Ou talvez seja novo.
As duas permaneceram em silêncio por um momento, observando o suporte dezessete sem que nenhuma das duas soubesse exatamente o que esperar dele, se é que havia algo a esperar.
— Vou perguntar a Orvin se algum dos outros suportes registrou algo parecido — disse Sythriel, finalmente, guardando o pedaço de papel separado na manga da veste, junto ao outro que já carregava havia semanas.
— E se ele perguntar por que você está perguntando?
— Vou dizer que notei uma variação na leitura. Não é mentira. Só não é a história completa.
Maren assentiu, gesto que Sythriel já reconhecia como sinal de que a amiga aceitaria a discrição sem exigir mais detalhes.
Orvin, consultado mais tarde naquela tarde, conferiu os registros dos outros onze suportes monitorados sem encontrar qualquer variação correspondente ao mesmo horário.
— Só o dezessete registrou alguma coisa — disse, sem demonstrar preocupação particular. — Pode ser falha do próprio instrumento. Termômetros antigos às vezes registram flutuações sem causa externa real.
— Esse termômetro já apresentou falha antes?
— Não, nos registros que tenho acesso. Mas isso não significa que não possa apresentar agora, depois de décadas de uso contínuo.
— E se não for falha do instrumento?
— Então não tenho como saber o que é, com os dados que tenho agora. Anote, observe se repete, e me avise se repetir.
— E se eu perguntar à própria Maestra Ihren se ela notou algo parecido durante o coral?
Orvin considerou a pergunta por mais tempo do que Sythriel esperava.
— Pode perguntar. Mas prepare-se para uma resposta que não te ajude muito. A Maestra presta atenção a padrões vocais, não a flutuações de luz que duram menos de dois segundos. Se algo assim aconteceu durante o coral, é bem possível que ninguém tenha notado, mesmo estando lá.
Sythriel aceitou a resposta sem insistir, reconhecendo nela a mesma limitação que via em quase todas as respostas que recebia desde o suporte dezessete: ninguém tinha dados suficientes para confirmar nada, e a única forma de obter mais dados era esperar que algo acontecesse de novo, sem nenhuma garantia de que aconteceria, ou de quando.
Encontrou a Maestra Ihren no final do dia, junto à entrada dos aposentos do coral, e fez a pergunta antes de perder a oportunidade.
— Durante o coral de hoje, a luz das fendas mudou em algum momento? Mesmo que por pouco tempo.
A Maestra Ihren considerou a pergunta com a mesma atenção precisa que dedicava a qualquer detalhe da liturgia.
— Não notei nada fora do padrão. Por que pergunta?
— Notei algo parecido na galeria, esta tarde. Queria saber se foi isolado, ou se aconteceu em outro lugar do Templo ao mesmo tempo.
— Vou prestar mais atenção nos próximos dias, se isso te tranquiliza.
— Não preciso de tranquilidade. Só de informação.
A Maestra Ihren observou Sythriel por um instante mais longo do que a conversa exigiria, gesto que Sythriel já aprendera a reconhecer como o momento em que a Maestra decidia se uma pergunta merecia resposta completa ou resposta administrativa.
— Vou avisar se algo mudar do meu lado também.
Foi a primeira vez, desde a realocação, que a Maestra Ihren prometia alguma coisa a Sythriel sem que isso fosse exigido por protocolo ou por ordem de alguém acima dela.
Naquela noite, antes de dormir, retirou os dois papéis da manga da veste e os colocou lado a lado sobre a pequena mesa do quarto: o nome do Irmão Davrick, e a hora exata da pausa nas fendas. Nenhum dos dois explicava o outro.
Releu as próprias anotações sobre a pausa, tentando reconstruir, com mais precisão do que conseguira na hora, a sensação exata que sentira: não dor, não frio, apenas a impressão breve de que algo, em algum lugar fora do alcance de qualquer instrumento da galeria, havia exigido mais do mundo do que o mundo normalmente cedia sem reação visível.
Pensou em Renn, em algum ponto da viagem que nenhuma carta ainda confirmara, e perguntou-se, sem qualquer base real para a pergunta, se o que sentira tinha relação com qualquer coisa que ele estivesse encontrando do outro lado da fronteira. Não tinha como verificar. Não tinha, sequer, certeza de que a pergunta fazia sentido.
Mas, pela primeira vez desde que começara a guardar anotações sozinha, teve a sensação concreta de que talvez estivesse reunindo peças de algo maior do que conseguia, ainda, enxergar por completo. Dobrou os dois papéis juntos, desta vez, e os guardou no mesmo lugar, decidindo que, dali em diante, trataria qualquer anomalia nova como parte do mesmo conjunto, até que algo, ou alguém, lhe desse motivo para separá-las de novo.